Sou mau, mau de ver e pensar

Sou uma luz apagada ao luar

Surdo e mudo, descrente e citadino

Sou um pequeno pássaro deitado no ninho


Pensar que já passou e tudo mudou

Que o tempo se acostumou a estar

Perdido, sentado, recostado à beira

Do rio que me vê correr depois de ser


Apagam-se as luzes da noite

Dormem, soturnos, uma noite melancólica

Insólita e sem fim, a água que se move 

Na estrada, que hoje chove


Por isso escrevo, prestando meu serviço

E é sobre isso que me encanto

Espanto, submisso às palavras


E é por isso que penso, é inevitável

Não consigo não pensar

Não consigo ser um pequeno pássaro

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